quinta-feira, 15 de maio de 2008

Filhos: nosso espelho?

Já é lugar-comum a afirmação de que os pais mais aprendem com seus filhos do que realmente ensinam. Pra quem não tem filhos este parece até mesmo um clichê muito sem graça. Mas, depois que tive minha filha, passei a ver o tal dito de outra forma. Primeiro, porque ter um bebê em casa nos faz enxergar o tempo todo o quanto as coisas poderiam ser encantadoras e misteriosas se víssemos a vida com a mesma curiosidade e desprendimento de uma criança. Hoje, com uma menina de cinco anos cheia de personalidade me chamando de mamãe, encontro mais um motivo para levar a sério a premissa de que temos muito a aprender com nossos filhos.
As crianças, depois de uma certa idade, passam a mostrar traços da personalidade da família. Principalmente, claro, dos pais. Claro que depende de muitos fatores, mas em geral nossos filhos apresentam toda hora algum comportamento, atitude, cacoete que herdaram - ou aprenderam a fazer olhando - de nós. Ver minha filha reproduzinho um traço de minha personalidade pode ser muito gratificante, agradável... quando se trata de algo de que me orgulho. Mas e quando ela sai com alguma atitude que se parece muito com algum de meus piores defeitos? É como ver minha própria imagem em um espelho daqueles deformadores, com lente de aumento, o desenho de minha caricatura mostrando meus piores traços.
Embora seja como um tapa na cara, é nessas horas que aparecem as melhores oportunidades de crescimento pessoal. Como não queremos que nossos filhos vivam reproduzindo os erros que nós cometemos (assim como passamos a vida tentando fugir dos erros de nossos pais), ao nos vermos nas atitudes deles temos a grande chance de mudar, mesmo que seja só para dar um outro "exemplo". Nossos pais são um referencial, o ponto do qual vivemos tentando nos distanciar, para sermos melhores. Já nossos filhos são nossa projeção, a semente que vai ficar em nosso lugar depois que morrermos. Não é fácil mudar certos vícios de comportamento, porque implica em mudar hábitos de pensamento , lógicas arraigadas. Mas, olhar nossos filhos como uma nova oportunidade pode ser muito estimulante. Afinal, queremos sempre evoluir, crescer, melhorar. Um filho pode ser um bom recomeço., um renascimento.

2 comentários:

Jo Macedo disse...

Lulu...
Como esse tema (filhos) tem estado presente na tua fala...fico refletindo...o caso Isabella, que invade nossas casas, a todo instante e desorganiza nossos conceitos? O sentido de ser pai e mãe falíveis, imperfeitos, ineficazes no desempenho deste papel? O pai austríaco? O fato da Gabi, que está numa idade encantadora e as descobertas, a cada dia, no desenvolvimento da tua filha, te "embriagando" de deslumbramento?
Não importa, se isso (os filhos, sinônimo de renovação) ou não...mas como sempre...penso que o que tens escrito, pode ser além de tudo isso, tb a tradução do momento da tua vida...com muitos "nascimentos" a caminho...e uma gestação múltipla, tenho certeza!!!!
Esse movimento da vida...a morte de velhos costumes, o abandono de papéis cristalizados...a "gestação" de novos projetos nos dá, a cada momento, oportunidade de refazer, recomeçar, ressignificar nossas buscas e condutas para alcançá-las...penso que se os filhos aprenderem conosco que, como qq outro ser, estamos aqui, experimentando a vida a cada dia...se perceberem que, quando erramos, podemos voltar atrás, verificar "os danos", "as perdas", e começar de novo...teremos dado uma grande lição...a da humildade...e a certeza de que, embora tenhamos nos atrapalhado, em diferentes momentos deste caminho, o que importa é o reconhecimento de que é sempre possível um recomeço...
Bjks, lindinha!
Saudades dos nossos papos!

marcelo_420 disse...

tua filha é um primor de educação.. seria teu espelho? hahahaha