sexta-feira, 19 de junho de 2009

Depois do golpe ao diploma, como ficam os concursos pra jornalistas?

Um problema mais sério que até então ninguém havia comentado: como serão os concursos públicos para jornalista agora que o diploma não é mais obrigatório? Qualquer pessoa poderá concorrer, com qualquer formação ou sem nenhuma? O conteúdo a ser exigido nesse tipo de prova será o mesmo de antes da decisão do STF? Afinal, se os ministros entenderam que a profissão não é específica, não haverá por que se exigir conhecimento específico. Que confusão, hein? Agora que me dei conta disso, não consigo engolir mesmo a decisão! E pra se contratar professor de jornalismo, como será? Daqui a pouco vai haver uma série de ações contestando a constitucionalidade dos concursos que exigem formação em jornalismo...
Bom, agora o próprio SFT percebe que sua decisão criou um problema. Vejam a notícia.

sábado, 6 de junho de 2009

Artigo webjornalismo participativo

Já que estamos na era do conhecimento compartilhado, comunidades de conhecimento, inteligência coletiva, etc... A quem interessar, artigo publicado ano passado com a Profª Eugenia na revista Alceu (PUC-RJ).

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Twitter em minha vida: agora o censo!

O Twitter entrou há pouco em minha vida, mas de forma cada vez mais intensa. Tanto que se tornou o meu objeto de pesquisa. Já comecei a escrever um artigo sobre twitter e jornalismo, que servirá de "ensaio" para minha dissertação. Entrei no Mestrado com o projeto de pesquisar jornalismo participativo na web, e não abandonei a temática, apenas a reformulei. Afinal, essa cultura de convergência, como propõe Henry Jenkins, tem como um de seus pilares a construção coletiva do conhecimento e a colaboração entre profissionais e amadores na produção de conteúdos.
Agora acabo de responder ao censo do twitter no Brasil, que já está com resultados parciais sendo divulgados. O encerramento da pesquisa deve ser em 12 de junho. Acompanhe aqui.

domingo, 17 de maio de 2009

Um mundo mais democrático

As leituras que tenho feito ultimamente para o Mestrado me levam a acreditar que realmente estamos vivendo uma daquelas fases de transição de paradigma que mudam o curso da história. A internet revolucionou a comunicação, o que é um tanto óbvio, mas a constatação vai além de aspectos evolutivos da tecnologia. A sociedade, que é uma categoria dinâmica, está em fase de aceleração de transformações como talvez nunca antes. Estamos distantes ainda da "massificação" das novas tecnologias em termos de acesso, mas a atual abrangência que se verifica já permite que vejamos um quadro totalmente novo em relação ao do tempo do domínio exclusivo da comunicação de massa dos meios tradicionais. Não consigo me afiliar ao pensamento dos autores apocalípticos, embora reconheça que nem tudo são rosas nesse cenário cibercultural. Prefiro ver o mundo com a lente de gente como Pierre Levy, quando fala na inteligência coletiva, e os atualíssimos Henry Jenkins (com a cultura da convergência), e Chris Anderson (com a teoria da cauda longa). É a era da descentralização, da cultura colaborativa, do trabalho pro-am, da democracia na produção e no consumo, enfim, de um subversão nos papéis e funções cristalizados ao longo de décadas ou séculos de predomínio de um modelo agora em crise. É a era do twitter e da mobilidade tecnológica, das micromídias, da comunicação em rede. Para os que vêem nisso tudo apenas as mãos do mercado controlando até nossa pretensa liberdade, podemos dizer que melhor que tenhamos as ferramentas (mesmo que elas nos sejam dadas pelos "senhores do ar', como diria Echeverría) do que continuarmos apenas a fruir o que nos é empurrado goela abaixo pela grande mídia. Temos pontos de fuga por todos os lados nos direcionando rumo a um mundo mais democrático, basta sabermos usar as ferramentas a nosso favor.

terça-feira, 5 de maio de 2009

A visita de Carlos Wagner - que jornalismo queremos?

Hoje pela manhã nossa aula do Mestrado foi substituída pela palestra do repórter Carlos Wagner, que está divulgando seu novo livro contando a história dos 45 anos da Zero Hora. Tudo bem que era um evento institucional, do grupo RBS, ou seja, com o objetivo de engrandecer o jornal e o trabalho do repórter. Mas, a situação não tira o mérito da visita de Wagner, um daqueles dinossauros da classe que no auge de seus 58 anos de vida esbanja tesão pelo jornalismo, especialmente o investigativo, que é o que faz, e muito bem. A maioria do público era formada por estudantes da graduação, tanto dos primeiros semestres quanto dos períodos mais avançados do curso. Conheci Carlos Wagner no final de 1997, quando acompanhei uma repórter da Rádio Gaúcha (eu fazia um estágio lá na época) em uma cobertura policial no município de Guaíba, na Grande Porto Alegre. Ele, claro, já era referência na área. Devo tê-lo visto outras vezes de passada. Hoje foi legal ouví-lo falar sobre questões como as características fundamentais para a formação de um bom jornalista, futuro do jornal, transformações tecnológicas, relação mercado-academia. Não fosse seu jeitão despachado, sua fala cheia de palavrões e a forma descontraída com que aborda os assuntos, sua presunção e vaidade seriam irritantes. É bonito ver a paixão pelo jornalismo em uma pessoa que está há tanto tempo na ativa, mas ao mesmo tempo a gente vê o quanto o jornalista se ilude para acreditar no que está fazendo. O jornalista se acha capaz de transformar o mundo, pensa que "forma opinião", que está cooperando com o civismo, "colocando gente na cadeia". Pensa que é justiceiro, policial, super-herói. Sinto muito, mas pra mim o jornalista, por mais nobre que seja nossa atividade, nada mais faz do que construir discursos sobre o real. Seria lindo se pudéssemos cumprir pelo jornalismo a promessa moderna de emancipação do sujeito da Modernidade. Podemos ajudar, claro, mas do jeito como é feito, está longe de promover realmente a democracia, como aliás as demais instituições que teriam que sustentá-la e não o fazem. De qualquer forma, essa pretensão do jornalista é que o faz ir adiante e prestar um bom serviço, desde que ele tenha de base uma boa formação moral, ética. Para a gurizada que está ingressando na profissão, Wagner talvez tenha assustado um pouco - falem pelo menos mais uma língua, saibam História, leiam os clássicos da Literatura e da Filosofia. Não precisa saber escrever nem usar parafernália ténica. A segunda parte faz todo o sentido! Não acho que o jornalista tenha que escrever como um Machado de Assis, mas dominar as regras básicas da língua é fundamental.
Eu, particularmente, sempre defendi a formação que tive na universidade federal pela solidez do ensino teórico. Não tínhamos bons laboratórios de foto ou bons estúdios de TV e Rádio, mas tínhamos pensamento. Aprender a mexer em botõezinhos se faz em poucas horas e o mercado se encarrega. Além do que a tecnologia está mudando muito rapidamente e é impossível que a universidade acompanhe esse ritmo. Agora, uma formação para a vida é que faz um bom entrevistador, alguém que entende a sociedade em sua complexidade e que saberá ir atrás das informações com competência. Isso sim faz um bom repórter! Quanto ao futuro do jornalismo, Wagner mostrou estar antenado às transformações operadas com as novas tecnologia da comunicação. Alinhado com o que comentei aqui em outro texto, quando falava de Wolton, o jornalista de ZH defendeu que a disseminação de espaços informativos, as redes sociais, as micromídias, tecnologias móveis, blogs, jornalismo colaborativo etc ao invés de levarem ao fim da profissão de jornalista estão a exigir cada vez mais competência desses profissionais, que teriam de se relegitimar na condição de mediadores através da competência (daí a importância daquela formação sólida comentada acima). Com relação ao futuro do jornal, foi taxativo - pouco importa em que veículo ou meio a informação será repassada. Seja no computador ou no celular, a apuração da notícia, que é a base do trabalho jornalístico, continuará sendo necessária. Surpreendeu sua avaliação de qual seria o meio do futuro - o rádio, pelo seu alcance, penetrabilidade, facilidade de acesso e relação custo-benefício. Mas, o rádio terá de se reciclar, assim como o jornal, que se tornará mais analítico.

domingo, 3 de maio de 2009

Viva a Feira do Livro


Adoro uma feira do livro! Não uma em especial, mas adoro feiras do livro... Gosto do clima da praça, a movimentação que toma contadas cidades quando um evento como esse é desenvolvido. Apesar de ter morado em Santa Maria por quatro anos, no tempo da faculdade, não tinha ainda vivenciado muito a cena cultural da cidade, e a feira do livro era algo que não me chamava tanto atenção na época... e há mais de 10 anos ela era bem incipiente ainda. Pois semana passada estive na Praça Saldanha Marinho na quinta, dei uma olhada, comprei alguma coisa. Na sexta, levei minha filha. Ela ficou encantada! E eu, ao ver o quanto a feira cresceu por aqui, também. Claro que tem muito o que crescer ainda, mas notei a evolução e gostei. Guardadas as devidas proporções, matei um pouco a saudade da Feira de Porto Alegre, que é simplesmente tudo de bom, gigantesca e melhor a cada ano. E lembrei com carinho da Feira de São Gabriel, que apesar de engatinhar, se continuar sendo realizada por gente de vontade como tem sido nas primeiras edições, irá se consolidar. Lembro da sensação de ver a praça de minha cidade natal tomada pela cultura. O livro, claro, é o protagonista das feiras, mas não são só as bancas dos livreiros e editores que encanta. É a presença das crianças, das famílias, da música, do teatro, do bate-papo descontraído, enfim, é como se voltássemos a uma outra época. Dá aquele gostinho de interior, mas também faz com que mesmo no interior nos sintamos um pouquinho cosmopolitas. Nada como uma feira do livro pra fazer esquecermos um pouco as mazelas do mundo e tocarmos de leve no encantamento, algo que a cada dia parece mais raro de se experimentar.
P.S.: A foto ali acima foi feita pela Gabriela (6 anos).

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Wolton, Internet e os intermediários

Estive lendo alguns capítulos do livro do francês Dominique Wolton "E depois da Internet?", que é lá do comecinho dos anos 2000. A leitura faz parte da bibliografia de uma disciplina do Mestrado em Comunicação em que discutimos as mudanças culturais, sociais e tecnológicas dos últimos anos por conta da cibercultura e as transformações nas categorias de espaço e tempo que experimentamos. Já tinha ouvido falar da obra e do autor, inclusive assisti uma palestra dele sobre sua discussão a respeito da Internet, em evento na PUC-RS, em Porto Alegre, em 2001. Na época o assunto não me interessava tanto como hoje, e minha bagagem intelectual sobre o tema era muito restrita, portanto comecei a leitura agora para a Pós com uma curiosidade maior.
Confesso que não era bem o que esperava. Sabia do teor bastante crítico de Wolton com relação à Internet, e penso que é importante termos contato com autores de opiniões diversas para formarmos uma opinião mais fundamentada. Temos lido muitos autores bastante otimistas com relação as transformações positivas possibilitadas pelas novas tecnologias. Claro que mesmo os mais otimistas levam em conta que a tecnologia por si só não produz mudanças, e que os benefícios também dependem dos usos e do contexto social. Mas, enxergam que principalmente a Internet é responsável hoje por uma mudança no estatuto da recepção - se com os meios de comunicação de massa (tv, rádio), tínhamos um pólo fixo de emissão que dirige suas mensagens aos destinatários, com a rede o pólo da emissão dilui-se, todos podem ser emissores e receptores ao mesmo tempo.
Wolton bate muito na tecla de que a internet não estaria trazendo grande mudança, mas é importante ter em mente que ele escreveu essa obra no começo da década, e de lá pra cá muita coisa mudou. Para ele, quando enxergamos na Internet um novo espaço de exercício da democracia, estamos equivocados. Discordo de muitas de suas colocações, e não cabe aqui fazer o contraponto. O que me chama atenção e que pretendo utilizar como ponto de partida pra um questionamento que devo levar pra meu trabalho de pesquisa, é a valorização que ele propõe para os intermediadores. Na Internet, todo mundo tem acesso a tudo, em termos de informação. Mas, para que o conhecimento no sentido estrito seja construído, é preciso haver competência. Como a maioria não tem bagagem cultural para construir seu próprio conhecimento diante de um universo infinito de informações, cada vez mais seria necessária a presença da mediação. Quer dizer, ele dá uma esperança aos jornalistas, entendendo que o profissional, ao invés de perder legitimidade - como temos tanto nos questionado, ganharia um novo status, junto com outras categorias hoje postas em dúvida, como professores e outros. Não sei se haverá espaço para nós nesse novo mundo que está surgindo, mas das duas uma: ou seremos extintos de vez ou ganharemos um novo estatuto, ainda mais importante. Achei o Wolton bem chato, repetitivo e me deu até a impressão de que ele ganhou algum do governo francês pra defender a tv (que por lá é pública), como se esta fosse realmente ameaçada pela internet. Mas, esse aspecto de sua discussão me interessou especialmente. Alguém tinha que achar uma utilidade para os "mediadores" em um mundo em que o acesso à informação parece necessitar cada vez menos de intermediários.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Melancólica, mas feliz

Melancolia. Esta a palavra que melhor se aproxima do meu estado de espírito nesta segunda-feira. É que segunda já é um dia chato, mas depois de um feriadão, mais chato ainda. Viajei quinta, voltei ontem, ainda estou no ritmo de descanso. Mas estou mais melancólica pelas notícias ruins do fim de semana envolvendo pessoas próximas. Não, felizmente tive a sorte de não perder ninguém querido. Mas ouvi histórias muito tristes, de amigos que perderam amigos, ou de conhecidos que perderam parentes. A primeira tragédia foi com uma família inteira. Mulher que vai com a mãe visitar a irmã e ocorre um acidente que a leva a morte, junto com um sobrinho. A segunda envolve um colega de profissão, amigo de muitos amigos meus, que aos 26 anos morre em uma pescaria, tragicamente, junto com o pai e sob os olhos do irmão gêmeo. Por fim, a última notícia mórbida do fim de semana foi da morte repentina de uma amiga de minha mãe, mãe de uma conhecida minha. Nossa! Todos os dias, eu sei, acontecem casos assim com milhares de pessoas no mundo. Mas, quando a morte passa perto da gente, só nessas situações, é que a gente se dá conta de nossa finitude. Dá insegurança, sensação de impotência diante do nosso destino (seja lá o que isso quer dizer), mas também nos dá coragem de viver, no sentido mais amplo da expressão. Tudo se torna menor diante do que realmente importa nesta vida. Apesar da melancolia, estou feliz por estar viva e por ter tantos motivos para sorrir.

Doce Ressurreição


Seria bom que a simbologia da Páscoa contaminasse as pessoas. Um pouco de doçura não faz mal a ninguém. Cansei de gente "amarguenta" que acha que tem resposta pra tudo. Prefiro saborear a vida como uma criança diante de um caixa de bombons. Piegas? Pode até ser, mas é bem mais gostoso assim.

Se pudesse adoçaria esse mundo azedo!

Pra quem ainda acredita no poder do chocolate (um bom começo pra uma ressurreição de conceitos), feliz Páscoa!!!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Domingo sem fome e sem dor graças a internet


Meu sonho é, em um futuro logo ali, poder, do meu notebook, pagar todas as minhas contas, fazer as compras do supermercado, da farmácia. Detesto fila, burocracia, demora.

Adoro andar na rua, conversar com as pessoas, portanto não me vejam como uma nerd antissocial. Apenas prefiro utilizar minhas preciosas horas do dia em coisas realmente úteis e prazerosas, o que não inclui fazer compras ou pagar contas.

Ultimamente tem crescido muito o número de coisas que faço pela internet, o que facilitou muito a vida. Mas, como vivo no interior da ponta de um continente periférico, as mudanças caminham a passos lentos, até porque eu não sou daquelas pessoas que manjam tudo das últimas novidades da tecnologia em rede. Fato é que, no último domingo, me senti mais próxima do mundo desenvolvido. Sem tirar a bunda da cadeira, mexendo apenas as mãos no teclado, encomendei remédio pra enxaqueca que me consumia e também pedi um xis que foi minha janta. Tudo bem, com o telefone isso é possível há muito tempo. Mas, como não tenho fone fixo e o celular é pai de santo, fiz tudo isso rapidinho e sem precisar desembolsar além da mensalidade que já pago pela internet.
Concordando com a idéia da convergência entre as tecnologias, no sentido de Jenkins, acredito que o bacana é mesmo essa convivência complementar entre elas, algo que se tornou real graças ao uso que delas fazemos. Ah, não ganho nada com jabá, mas acho que vale como dica e até incentivo às outras empresas: site da Panvel e msn do Xis do Dariu (em Santa Maria-RS).
Não adianta colocar site bonitinho na internet e alardear a interatividade se a coisa na prática não funcionar. Eu tive sorte de ter meus problemas resolvidos rapidinho com alguns cliques. Meu domingo foi salvo!