quarta-feira, 16 de abril de 2008

Cãezinhos assassinados pela cidade

Mortes de cães de estimação por envenamento em São Gabriel viraram rotina. O que tenho recebido de relatos de ouvintes do programa diariamente, é impressionante. Depois que a enfermeira Rosângela Bohrer, moradora do Bairro Vivenda, enviou um email pedindo a repercussão, no ar, da morte de dezenas de cachorros no bairro - incluindo filhotes da própria família e cachorros de vizinhos - notícias dando conta de fatos semelhantes em outros pontos da cidade não páram de chegar. Casos confirmados, e outros suspeitos, pipocam pela cidade. O mais surpreendente é que na maioria dos casos, a substância utilizada pelos criminosos é a mesma - estricnina. Lembram do cafezinho servido anos atrás à classe médica local? A venda, pelo jeito, continua indiscriminada nas farmácias. Órgãos de proteção aos animais, proprietários de cães vitimados e autoridades da área começam a se articular. Aguardemos os desdobramentos...

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Além do espelho...

Por que tememos tanto o diferente? Já diria Caetano, "Narciso acha feio o que não é espelho". Temos verdadeiro pânico de nos defrontarmos com o desconhecido, pois não sabemos lidar com ele, já que não temos o conforto de fórmulas prontas ou de um manual que nos indique o caminho. Somos comodistas. Encarar uma nova realidade ou fenômeno, seja de origem natural ou social, implica vivenciar uma situação de crise, desacomodação, conflito, reformulação de conceitos, reinterpretação da realidade, reinvenção de nós mesmos, muitas vezes. Ora, isso tudo dá trabalho, exige esforço, faz pensar. Poucos estão dispostos a tal investimento. Por isso, a maioria de nós prefere viver ancorado em velhos conceitos (em geral pré-conceitos), seguindo velhas fórmulas, reproduzindo o que outros antes já fizeram, sem inovar, sem questionar.
É por medo do desconhecido, ou do que nos é estranho, que rotulamos pessoas ou grupos, atacamos comportamentos como absurdos ou imorais, excluímos de nosso convívio pessoas que pensam diferente da gente, relegamos para a marginalidade aqueles que são tão antagônicos em relação a nós mesmos que não suportamos conviver com sua presença. Somos tão hipócritas que chegamos ao ponto de fazer coro humanista diante da barbárie histórica representada por eventos como o Holocausto, ou a Guerra Santa, ignorando que tais acontecimentos tiveram origem em pensamentos comuns aos que nos fazem, no dia a dia, ser tão narcisistas. É do medo do diferente, é do nosso egocentrismo doentio, da nossa falta de tolerância com o "outro" que nasce a guerra.
Todos somos naturalmente centrados no próprio umbigo, mas ter consciência de tal limitação já nos afasta um pouco de nossa própria perversidade. Fazer um exercício diário de relativismo e distanciamento, ao menos tentando ver a vida com um olhar mais crítico e menos pré-programado. Tal atitude parece pouco, e talvez seja mesmo, mas já ajudaria a nos aproximar um pouco mais de nossa condição de humanidade.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Uma vida de verdade

O que faz uma vida valer a pena? Dizem que é relativo. Do ponto de vista antropológico, é mesmo. Depende de cada contexto social, de cada cultura, dos valores de cada sociedade - embora os valores não sejam homogêneos mesmo dentro de um grupo pequeno, visto que existem questões individuais, de família etc, as seleções de cada um. Tenho um certo apreço pelo jeito dos "culturalistas" encararem os fenômenos sociais, mas acredito em alguns valores universais que seriam constitucionais do ser humano, independentes de questões espaço-temporais.
Tomando nossa sociedade como base, essa cultura "hegemônica" do consumismo... O que faz uma vida valer a pena neste contexto? Dinheiro, status, poder, a "imagem"? É por isto que estamos lutando? Batalhando de sol a sol, dando nossa energia, nossa força, largando horas preciosas de vida, tudo isto para... sermos, ao final da jornada, "bem sucedidos", termos o carro do ano, a casa cheia de eletrodomésticos de última geração? Sua vida se justificaria ao final, tendo chegado a este "topo"? A minha não!
O que então, faria uma vida, no mundo que conhecemos, valer a pena? Mesmo imersa nesta sociedade do consumo, da imagem, do espetáculo, consigo visualizar outros valores, "nortes" que me fazem mais sentido. E sei que não sou a única, não estou descobrindo a roda, tanto que há muita gente trilhando caminhos alternativos por aí. Mas temos que mudar o discurso (pre)dominante, até porque os apelos são muitas vezes irresistíveis, para o mais "bicho-grilo" de todos nós, quanto mais para os reles mortais.
A questão é que é muito difícil renunciar a tudo, ir morar numa cabana e viver da pesca artesanal. O Paulo Zulu fez isto - ele pode se dar a tal luxo - mas abre concessões fazendo um que outro desfile. A idéia de bom senso é esta: não se exclua do sistema, mas não deixe que ele domine sua vida.
O problema é que hoje é difícil achar uma saída que não esteja impregnada dessa lógica perversa. Nem mesmo uma religião dá pra seguir hoje sem que cifrões estejam envolvidos. Por isto acredito que precisamos nos voltar para os tais "valores universais". Acho que basta olharmos um pouquinho para dentro de nós mesmos, sentir... Há quanto tempo não sentimos? Apenas fazemos, autômatos que viramos nessa loucura toda. Aqui dentro tem GENTE, um ser que precisa de tão pouco (e o conceito aqui é relativo) pra ser feliz, pra dar sentido à própria vida. Nada de ir morar no meio do mato ou de virar hippye (se bem que já tive vontade), mas posso abrir mão de muitas coisas para em troca ganhar outras muito mais valiosas, e que soam naturalmente como essenciais. Paz de espírito, entusiasmo, saúde, um trabalho que me realize, família por perto, amigos de verdade, e um amor - que ninguém é de ferro. Para ter isto na vida entrego o carro do ano, a casa charmosa, o vestido da moda. Não pense que não gosto "do que é bom", que adoro uma saidinha regada a bons comes e bebes, uma roupinha nova... Mas sem exageros. É pra ter uma vida de verdade que batalho todos os dias, e nada mais.

terça-feira, 4 de março de 2008

Humano, demasiado humano...

Por que nos preocupamos tanto com o que os outros pensam de nós? Eis uma pergunta que me intriga. Pra começar, quem tem alguma noção da psique humana - mesmo que seja de leitura de almanaque - compreende que "somos" a partir do outro, nos configuramos a partir do que o outro nos diz, de como o outro nos vê. É o famoso "duplo", nossa idéia de alteridade, que diz respeito à nossa configuração a partir da interatividade, das trocas simbólicas. Imagina um ser sozinho numa ilha, sem ter com quem interagir por toda uma vida. Que noção terá ele de si mesmo? Sem ter um semelhante em quem se espelhar, colocaria em outro "objeto" sua fantasia sobre si mesmo - daí a lenda dos meninos-lobo, criados por animais e que passam a agir como eles.
Se o outro é tão importante pro ser humano enquanto espécie, e talvez assim o seja para outros animais, por que estranharmos e negarmos esta influência que a opinião alheia nos impõe? Talvez o que nos incomode seja não o que o outro vê, mas sim o que nós vemos de nós mesmos a partir do olhar do outro. Complicado? Pode ser, mas explico. Não sabemos muito a nosso próprio respeito, esta é a verdade. O pouco que sabemos, temos acesso através de signos os mais diversos - nossas atitudes, nossos pensamentos, produção artística, trabalho. Mas, todas estas manifestações são ainda insuficientes pra nos contar sobre quem realmente somos. Quando convivemos com outras pessoas, temos acesso ao "eu" que só pelo olhar do outro nos é acessível. Óbvio que nao está ali nosso tudo, até porque este é impossível de ser alcançado, por mais terapia que se faça ao longo da vida.
O processo de auto-conhecimento é árduo, e é o amadurecimento que nos vai tornando mais seletivos, exigentes, convictos ou não do que queremos e gostamos. Observar com olhos críticos como somos vistos faz parte deste crescimento pessoal. O que não pode acontecer é nos tornarmos escravos da opinião alheia, vivendo para agradar, para corresponder às expectativas de outrem. Pessoalmente, fico irritada quando me pego cometendo auto-reprovação, auto-opressão apenas por não gostar da idéia de ser julgada. Deixar de fazer algo que me faria bem, que me daria satisfação, apenas porque os outros (não quaisquer outros, mas outros significativos pra mim) não iriam aprovar, é uma coisa que me traz muito desconforto. Por que faço isto? Imagino que o porquê seja um receio inconsciente de deparar com minha própria essência. Afinal, não apenas "somos", nós também forjamos um "ser", um personagem que vemos como nosso "eu" ideal. Quando nos pegamos apenas "sendo", livres de nosso censor interno, automaticamente nos repreendemos, porque estamos nos avaliando pelo olhar dos outros, pela opinião deles. Não seria mais simples apenas "ser"? Bom, seja lá como for, tudo isto faz parte de nossa condição de ser humano. Como diria Nietzsche, "humano, demasiado humano"...

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Jornalismo Bizarro - Parte II

É por estas e outras que defendo a obrigatoriedade do diploma de bacharel em Jornalismo como critério mínimo para a obtenção do registro profissional. Para quem não sabe, a questão vem sendo discutida na Justiça desde 2003, e aguarda a manifestação final do Supremo Tribunal Federal (STF). O que está em jogo é a constitucionalidade ou não da lei que regulamentou a profissão de jornalista, em vigor desde os anos 1970. O argumento usado pelos magistrados favoráveis à derrubada da lei é o de que esta estaria ferindo o princípio da liberdade de expressão, garantido na Constituição Federal. Ora, uma coisa é ter liberdade de expressão, é colaborar com algum órgão de imprensa na condição de comentarista, colunista. Outra é ter um registro profissional que poderia ser concedido indiscriminadamente a qualquer cidadão que comprovasse ser capaz de escrever um texto com algum sentido. Isto sim é uma aberração. Tanto foi assim que quando a primeira liminar foi concedida em favor da liberação geral de registro, foi um corre-corre de gente aos postos do Ministério do Trabalho, interessados em, na noite para o dia, "virar" jornalista. Por aqui até semi-letrados conseguiram o carimbo e suas carteiras de trabalho. Como a gente, que batalhou para entrar em uma universidade federal, ficou quatro anos estudando, lendo, aprendendo, praticando, pode se sentir ao estar na mesma categoria profissional de outra pessoa que mal passou oito anos nos bancos escolares?
Perdoem-me os colegas que são jornalistas provisionados, cujos registros obtiveram a partir desta batalha judicial e que, mesmo sem ter graduação em Jornalismo, exercem a atividade com dignidade e competência. Mas eram outros tempos quando estes começaram. Havia algum cuidado por parte de quem colocava um jornal na rua, na hora de contratar um repórter, por exemplo. Hoje, e principalmente em São Gabriel, vulgarizou-se demais o fazer da imprensa. Por isto, a sociedade deve cobrar dos ministros do Supremo que analisem com cuidado a questão, e pensem na importância da qualificação mínima para que uma profissão possa ser exercida. Se diploma não é tudo, é ao menos um balisador. Assim como para ser advogado tem que ser bacharel em direito e ainda passar na criteriosa prova da OAB, para ser médico tem que fazer faculdade e obter o CRM, pra ser jornalista tem que ter faculdade de Jornalismo. Simples assim.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Intertexto

Passamos de 200 visitas!!! Tudo devido à polêmica da fração ou número inteiro... E o debate esquentou, vide as mensagens de coments. Vejam o texto do Gikovate com o qual a Jo nos brindou. Eu conhecia o texto, havia lido tempos atrás, e só depois de reler percebi que o meu artigo está cheio de referências a ele, sem que eu o tenha citado. Atribuo a falha ao processo natural de intertextualidade que perpassa todo pensamento articulado. O tempo todo nos referimos a outros pensamentos, imagens, idéias, constructos, coisas de natureza diversa que fazem parte de nossa biblioteca infinita de vivências reais e imaginárias. Eu não fazia idéia de que minha construção, ou reconstrução, dizia respeito a tanta gente que antes de mim já pensou parecido. Entrem lá nos comentários dos leitores, ao final do texto, e confiram o debate. Lá está a parte mais dinâmica deste blog. Enjoy!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Comente você também...

Uma das melhores coisas de se ter um blog, é receber as postagens de comentários dos leitores. Fico muito feliz com eles, são a prova material de que as penas jogadas ao vento neste espaço cibernético promovem algo mais além do caos. Também me dá um prazer enorme quando amigos comentam informalmente pelo msn, ou pessoalmente, algo que escrevi. Amo todos os posts que recebo aqui, mas vou destacar o último, de alguém que foi - acredito - uma de minhas primeiras leitoras e incentivadoras desde a criação do blog. Ah, e é uma mulher que admiro muito, de uma competência e sensibilidade imensuráveis - Jo Macedo, minha amiga psicóloga que coordena um programa de causa nobre nesta cidade...
Ela postou, sobre o texto da resiliência:

Lu...querida...
Já ouviste isso muitas vezes!!! Mas o que é bom...sempre vale a pena repetir!!!
A-do-ro teus textos!!! Simples, verdadeiros, diretos, despretenciosos...acho que isso os torna tão atraentes e elegantes...e deve ser isso tb que me impulsiona a buscar teus escritos, sempre que tenho uma folguinha...a identificação com a nossa parte mais profunda e humana, infelizmente, nem sempre acessível!!!
A resiliência é um termo que a psicologia, há muito, tomou "emprestado" da engenharia...essa incrível capacidade que temos de nos abastecer dos contextos, climas ou pessoas que nos acolhem é o que nos torna resilientes!!! Essa potencialidade para a recuperação de nossa força interna e para a ressignificação dos eventos desagradáveis da nossa vida é resiliência...sem ela...como sobreviveríamos???
Querida...teres este veículo na mão e utilizá-lo positivamente, informando e fortalecendo os sujeitos, no enfrentamento do seu cotidiano, nem sempre muito fácil, é o que te torna uma profissional séria, competente e comprometida com aquilo a que te propuseste...Espero que jamais desistas!!!Bjks no teu coração resiliente!
Jo
6 de Fevereiro de 2008 16:03

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Elisa Lucinda, pra colocar um pouco de filosofia neste carnaval...

Alguns versos:

Aviso da Lua que Menstrua

Moço, cuidado com ela!
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:
cada ato que faz, o corpo confessa.

Cuidado, moço
às vezes parece erva, parece hera
cuidado com essa gente que gera
essa gente que se metamorfoseia
metade legível, metade sereia

(...)

Cuidado com cada letra que manda pra ela!
Tá acostumada a viver por dentro,
transforma fato em elemento
a tudo refoga, ferve, frita
ainda sangra tudo no próximo mês.

(...)

Você que saiu da fresta dela
delicada força quando voltar a ela.
Não vá sem ser convidado
ou sem os devidos cortejos...

Às vezes pela ponte de um beijo
já se alcança a "cidade secreta"
a Atlântida perdida.

Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.
Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas
cai na condição de ser displicente
diante da própria serpente.

Ela é uma cobra de avental.

Não despreze a meditação doméstica.

É da poeira do cotidiano
que a mulher extrai filosofia"(...)


Quanta sabedoria!!!!!!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Ditadura das formas

Este culto à imagem, que tanto caracteriza nossa sociedade, empobrece demais a vida humana... Preenche o vazio de pessoas vazias e deixa um buraco imensurável na alma de quem pensa. Não é o caso de ser hipócrita ou agir como os iconoclastas, negando completamente o valor das formas e da beleza. Isto é da natureza humana, tanto que os padrões estéticos mudam, mas nunca deixam de existir critérios pra definir o que é belo, e valorizá-lo. O que não podemos deixar de exercitar é nossa capacidade de relativizar o meio no qual vivemos, sob pena de nos tornarmos criaturas alienadas, robôs, marionetes. É saudável buscarmos beleza, sermos atraentes, nos sentirmos bem com nossa própria imagem. Afinal, construímos nossa identidade conforme o olhar do outro, e a auto-estima é um aspecto importante da saúde, inclusive. Doentia é a obsessão pelas formas perfeitas - doenças como anorexia, bulimia e outros transtornos alimentares aí estão para confirmar.
Fiquei sabendo de uma menina de apenas 11 anos, e não é filha de alguma celebridade do mundo da moda ou do showbizz, mas uma criança comum daqui mesmo, de São Gabriel, que foi diagnosticada anoréxica. Não come para não engordar, acha-se sempre acima do peso, tem uma imagem distorcida de seu próprio corpo. Ela é mais uma vítima deste nosso mundinho em que coabitam Barbie Girls e Mc Donald's. De um lado, um apelo exagerado ao corpo perfeito; de outro, a promessa de felicidade em forma de fast food. Como evitar que estas patologias, do corpo e da mente - e aqui a dualidade que há séculos nos fragmenta é proposital - atinja cada vez mais cedo nossas meninas (sim, porque os homens ainda resistem melhor aos apelos da imagem, lidam melhor com a "feiúra")? Como uma criança poderá ter equilíbrio para adotar o bom senso numa escolha destas? Nem querer ser igual a Barbie, tampouco exagerar na gordura trans... Educação em casa, na escola, na turma.
Vi em uma livraria um exemplo muito interessante de iniciativa para ajudar a educar nossas crianças. Em Porto Alegre, dentro de um shopping - o local não poderia ser mais irônico - uma grande livraria desenvolve um projeto de contação de histórias para incentivar os freqüentadores mirins a ler - e comprar livros desde cedo. O que poderia ser apenas uma tática marketeira também acaba servindo de momento filosófico, pedagógico, educativo. Ao interpretar uma história de amor para a criançada, a contadora levou-os a questionar os padrões de beleza atuais. Fiquei espantada ao ver que de um grupinho de umas seis crianças, apenas duas acharam que o mocinho NÃO deveria deixar a namorada APENAS porque ela engordou. Lição negativa: o ideal de magreza está na cabecinha de nossas crianças como uma verdade. O positivo: A contadora os fez pensar, questionou a máxima segundo a qual o amor se baseia apenas nas aparências. Nada de incentivar a obesidade, que faz mal a saúde, mas deixar que as futuras gerações continuem reproduzindo essa ditadura que faz doentes meninas tão jovens, incapazes de ter uma auto-estima em dia, seria uma irresponsabilidade muito grande.

Carnaval? Não sei mais...

Sexta-feira, véspera de carnaval... O fato de que irei trabalhar durante as quatro noites está me incomodando menos que a constatação de que não estou no clima "momesco" (que palavrinha horrorosa!). Talvez seja o tempo nublado, a previsão de chuva, ou simplesmente mais um sinal de uma mudança que borbulha aqui dentro. Sempre gostei de carnaval, ou achei que gostava. Na infância, não perdia os bailes de salão, ou o "carnaval de clube", como chamamos por aqui. Tive a transição em que me achava grande para continuar freqüentando as matinés, e ainda era jovem demais para ir aos bailes a noite. Neste fase ficava assistindo as desfiles das escolas de samba do Rio pela tevê. Sabia decór todos os sambas-enredo. Meu primeiro carnaval noturno foi aos 14 anos, quando ingressei no bloco onde faria os próximos 16 carnavais de minha vida. Mesmo quando morava fora de São Gabriel, e tinha que trabalhar em Porto Alegre durante o feriado, vinha, desfilava uma noite, e voltava na madrugada para estar no começo da manhã na rádio, com cara de ressaca, mas firme. Foram vários anos assim até retornar ao carnaval em tempo integral no bloco. Depois deste retorno, em 2002, apenas no ano passado não fiz carnaval na Jupob e, desde que nasci, foi o último ano em que preferi ir para o litoral. Talvez esta quebra tenha me feito perceber que nem gosto tanto assim de carnaval, porque hoje estou mesmo é com vontade de programas mais aconchegantes, como locar filmes, ficar em frente ao dvd comendo pipoca, sozinha ou bem acompanhada, aproveitando para descansar. Só me inscrevi de novo no bloco porque, como terei de estar na rua a trabalho, fazendo a cobertura do desfile para a rádio, corro o risco de me empolgar e querer prolongar a noite como foliã. Também pode ser que minha vontade continue sendo a de ir pra casa e ficar longe das festas do "carne vale". Bom, neste caso o prejuízo terá sido "apenas" financeiro... Só vou descobrir se ainda gosto - ou acho que gosto - do carnaval depois dessa noite, quando, a princípio, iria numa festa a fantasia. Vou ou num vou?